O
Computador como um Novo Média
Com a 'Internet' e a
integração progressiva das tecnologias de informação estamos a um passo do futuro.
A 'Net' vai alterar, radicalmente a
maneira como vivemos (quando, por exemplo, perdermos mais tempo a navegar sozinhos do que
a ver televisão com a família; e a fazer compras sem ir ao supermercado e sem encontrar
ninguém; e descobrir novos amigos em países estrangeiros, sem nunca os contactar
fisicamente)? Em relação à leitura e a hábitos de leitura, qual vai ser a relação
entre o ler 'online' e ler, cheirar, folhear um livro? A visualização de um ecrã
modifica, ou não, a plasticidade, o tempo e o espaço de ler? Os dois modelos são
compatíveis? Os internautas de hoje serão os leitores de amanhã? Mais do que certezas,
o debate está na ordem do dia. E está para ficar.
A aldeia global com que o canadiano
Marshall McLuhan sonhava é uma realidade: o sucesso dos multimédia e da 'Internet', a
cibercultura vai de vento em popa.
Mas nem toda a gente afina pelo mesmo
diapasão. Mais: põe sérias reservas à 'Net'. É o caso do investigador francês
Dominique Wolton, que acaba de publicar em França um livro, «'Internet' et Après. Une Théorie Critique des Nouveaux Médias» (ed.
Flammarion), o qual está a suscitar uma forte polémica gaulesa (houve um tempo, há
muitos anos, onde o que se discutia em Paris tinha eco pelas nossas paragens; enfim, de
vez em quando não faz mal ouvirmos uma voz não americana, para variar...).
Wolton é muito claro: «As novas
tecnologias da informação beneficiam de uma publicidade imensa sem que ninguém ouse
criticá-las, nem queira saber se elas merecem um tal lugar no espaço público, ou se
são mesmo um progresso incontestável.» O autor critica, inclusivé, «essa espécie de
mito, esse sentimento de liberdade - "surfar na Net" é a expressão que se
utiliza - não passa de um equívoco».
«A 'Net', ao contrário dos media»
explica Wolton «não se dirige a ninguém, talvez a um 'cidadão do mundo'. Não há
comunicação sem a elaboração, sem a construção de um programa, sem uma grelha que,
longe de ser uma prisão, é qualquer coisa de muito mais ambicioso do que se possa
imaginar».
Mais do que pessimista quanto às
virtualidades da 'Net', Dominique Wolton estabelece uma radical diferença entre o que
passa na utilização da 'Net' e na performance dos meios de comunicação: «Um
verdadeiro meio de comunicação, jornal, a rádio ou a televisão, estabelece uma lógica
de oferta para um público determinado que, é claro, compra ou não.» E não é tudo:
«A comunicação directa sem intermediário, não é senão uma performance técnica.
Pode fazer sonhar as pessoas, criar nelas uma sensação de liberdade. Mas é uma
ilusão.»
Adaptado de "Público", edição de 20 de Abril
de 1999
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Vantagens e
Desvantagens do Suporte Electrónico face ao papel
Sonho ou não, o que é certo é que
as mutações introduzidas pela 'Net' são cada vez mais visíveis. O planeta Gutenberg, o
livro, a leitura, estão ameaçados com a 'Net'? Continuando em França, que embora algo
relutantemente, está a render-se à Internet
(à "grande e à francesa", talvez?), esta foi uma das perguntas mais ouvidas
nos debates do Café Literário do Pavilhão da FNAC
instalado no coração do Salão
do Livro, que ocorreu em Paris no mês de Março de 1999.
Bernard Pivot, o animador de um dos
programas de televisão europeus que mais tem feito pela divulgação do livro e da
leitura, 'Bouillon de
Culture', não está preocupado.
«Todos os meios de comunicação
têm a sua importância. Não a podemos é quantificar matematicamente.» Pivot não
partilha a visão de Wolton: «A 'Net' é um meio de difusão que não pode ser ignorado.
O facto de podermos, por exemplo, ler um capítulo de um romance, pode levar as pessoas a comprar livros.
Seria dramático que fossem só a televisão ou a imprensa os únicos a dar conselhos
sobre os livros a comprar». Se a tese de Pivot parece fazer todo o sentido, a verdade é
que o volume de negócios da edição em França está «num processo de estagnação».
Serge Eyrolles, presidente do Sindicato Nacional da Edição (SNE) francesa, a
instituição responsável pela organização do Salão do Livro, está preocupado. «Há
cada vez menos gente a ler. Actualmente, segundo o último estudo divulgado»,
"entre os jovens dos 15 aos 18 anos, o livro ocupa a oitava posição no 'ranking'
dos seus lazeres."
Outra obra que está no centro deste
debate, «Et Pourtant ils Lisent», de três investigadores franceses, Christian Baudelot,
Marie Cartier e Christine Detrez, acabou de ser colocado nos escaparates pela Seuil.
Durante quatro anos, estes três investigadores seguiram um grupo de 1200 jovens com
idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Foram vendo o que os jovens iam lendo,
quais eram os seus gostos literários, mas não só, e qual a sua relação com a escrita.
Numa entrevista dada ao «Le Nouvel
Observateur», Christian Baudelot, resumiu as conclusões. O cenário não é tão negro
como se pinta. Ou seja: «Os jovens lêem mas de um modo diferente de toda uma geração
que fez da leitura o alfa e o ómega da sua formação intelectual. Esse modelo já não
funciona junto dos jovens de hoje.» Ao mesmo tempo que navegam na 'Net', ouvem música,
fazem um 'zapping' constante com todos os meios de cultura ao seu dispor.
E com o livro? «Os jovens
relativizaram, laicizaram, numa palavra, dessacralizaram o livro. Não lêem muito, mas
lêem, de diferentes maneiras e incluem autores a que não damos valor aos olhos de uma
cultura baseada no livro.»
Para Eyrolles, «o livro tem que
encontrar o seu lugar. Temos que reencontrar o prazer de trabalhar com os livros. A escola
é uma peça capital para alterar esta situação».
«A 'Net', toda a parafernália dos
multimédia têm de ser um complemento permanente da educação. Na escola, de maneira
lúdica; na universidade como meio de investigação. É uma realidade muito complexa»,
reconhece Eyrolles.
Mas como conciliar a ludicidade com o
esforço que toda a leitura implica? Solange Parvaux, presidente da Associação para o
Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros, de África e da Ásia Lusófona, em
Paris, declara que esse é o grande desafio do próximo milénio. «Não podemos pôr a
cabeça debaixo da areia como faz Wolton: a 'Net' está aí e temos de conviver com essa
realidade.».
«Se não queremos perder o pé,
temos que arranjar uma maneira de levar as pessoas que lêem na 'Net' a lerem com o livro
à frente. São dois modos de ler: o primeiro é muito lúdico, o segundo implica
esforço. Agora como é que vamos conseguir fazer isso é que é o grande problema.».
Christian Baudelot pensa que ainda é
cedo para tirar conclusões. Porém, afirma: «Hoje fazemos 'zapping' enquanto lemos; a
informática, a 'Net' obrigam a ler muito... É provável que estejamos a assistir a uma
mutação de um modelo de leitura mais do que a uma crise de leitura». O que obviamente,
não serve de grande consolo para os editores tradicionais...
Adaptado de "Público", edição de 20 de Abril de
1999
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O Conceito de
Hipertexto
Hipertexto é um conceito
relativamente moderno de estruturação da informação electrónica, que acabou por se
tornar um padrão na elaboração de todo o tipo de documentação. Com a 'Internet', este
tipo de documentos electrónicos parece ter ganho novo fôlego, transformando-se na
ferramenta essencial de divulgação da informação na 'Net'.
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Perda de
Sequenciabilidade e o Conceito de Lexia
Devido à sua natureza,
perde-se no hipertexto a noção de sequenciabilidade característica de documentos
tradicionais, e muito em especial dos livros. No entanto, ganha-se no sentido em que é
fortemente incentivada a racionalização objectiva e direccionada da pesquisa que se
pretende efectuar com vista à satisfação de uma determinada necessidade informativa.
Por consequência, e também com resultado da utilização da interactividade
proporcionada pelos suportes electrónicos, o tempo de consulta pode ser consideravelmente
reduzido.
Com o fraccionamento da
informação sequencial, tradicionalmente apresentada, em blocos de texto e sua
interligação automática surgem vários conceitos estruturantes. Um deles é o conceito
de 'lexia', aplicado a cada um dos blocos de texto de um hipertexto e que se encontra
ligado a outros 'lexias' por ligações hipertextuais ou 'links'. Num hipertexto, cada
'capítulo' pode ser composto por um único 'lexia' ou por diversos 'lexia'. No primeiro
caso, ou seja, quando um assunto é desenvolvido apenas num único 'lexia' é comum
apelidá-lo, em linguagem técnica corrente, de 'tópico'. A desvantagem desta nova
conceptualização é a de, sobretudo, ser fácil a confusão entre o conceito de 'lexia'
e o conceito de 'tópico'. Na prática, a consequência é a utilização quase
indiscriminada de ambos os conceitos.
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Necessidade de
Sistemas de Navegação
Para além da perda de
sequenciabilidade, outra desvantagem dos hipertextos poderá ser o facto do utilizador se
poder perder facilmente na 'rede' de lexias ligados pelas respectivas ligações
hipertextuais, acabando por ter a sensação de não saber 'onde está' nem 'para onde
vai'. Houve por isso que inventar instrumentos de navegação, autenticamente as
'bússolas' e os 'sextantes' dos sistemas de hipertexto. Estes instrumentos são compostos
por índices, compondo as chamadas 'barras de navegação', por botões que permitem o
'salto' para um dado tópico dentro da estrutura do hipertexto e por mecanismos mais
abrangentes de pesquisa e indexação. O objectivo de todos eles é proporcionar o sentido
da localização exacta dentro do sistema labiríntico que pode ser um hipertexto.
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Conceito de
Hipermédia
Na acepção mais vulgar do termo, trata-se
de hipertexto enriquecido por elementos multimédia (imagens estáticas, imagens em
movimento, sons, segmentos de vídeo, etc.). O termo 'hipermédia' também pode servir
para classificar os processos e tecnologias que permitem a concepção e utilização de
sistemas que suportam a criação, gestão e distribuição de redes multidimensionais de
informação multimédia, caracterizadas por permitirem acesso flexível, navegação e
modelação de informação através de interacção com o utilizador e a possibilidade de
este abrir os seus próprios caminhos.
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INTRODUÇÃO | AVALIAÇÃO |