A
Evolução do Hipertexto
No decurso dos anos 60,
ainda estávamos a 20 anos do aparecimento dos computadores pessoais, um grupo eclético
de visionários, excêntricos e académicos, a maior parte norte-americanos ou a trabalhar
nos Estados Unidos, iam colocando no lugar as peças do que deveria ser a concepção e
consulta de documentação em suporte electrónico.
A partir de certa altura, tornou-se óbvio que o texto acabaria por ser lido em VDUs
(Video Display Units; ecrãs de computador), que ainda hoje apresentam uma resolução
muito inferior ao que é possível obter em papel (mas não durante muito mais tempo...) e
coloca o problema da continuidade. Num livro, uma página é uma mera unidade física, mas
não uma unidade lógica. O texto flui de página para página, "naturalmente".
É uma característica do meio. Para voltar atrás, basta folhear as
páginas para trás. Há uma sensação clara de dimensão e localização dos assuntos.
Num ecrã, cabe pouco texto. Se um bloco de texto fosse mais comprido, poderia ser lido
através de "scrolling", mas não é prático nem confortável para os leitores
a existência e consulta de textos muitos compridos. O "natural" neste novo meio
seriam blocos de texto relativamente pequenos, relativamente completos, ligados a outros
blocos de texto com ligações ("referências") automáticas, reflectindo
desenvolvimentos de conceitos referidos no texto "inicial". No entanto, nunca
seria possível proporcionar nada que se assemelhasse à sensação de controlo que um
"livro" oferece.
Um novo bloco de texto
ocupa o ecrã e o anterior desaparece. Não está "antes". Não é possível
folhear "para trás" até se chegar a ele. Desaparece simplesmente. Era evidente
que se teria de arranjar formas de possibilitar "voltar atrás".
Estes novos sistemas,
quando atingem uma determinada dimensão, parecem ser uma enorme "teia" de
documentos, ligados entre si de forma mais ou menos anárquica, formando um universo no
qual o leitor "navega". Uma característica destes sistemas (N.B.: que a Web
ainda não conseguiu implementar) era a possibilidade de os próprios utilizadores poderem
criar as suas próprias ligações, permitindo-lhes estabelecer os seus próprios
"trilhos" pelo espaço do hipertexto (o "hiperespaço", entretanto
graças à Web e a William Gibson, "ciberespaço").
Textos (relativamente)
curtos, organizados em blocos de pequena dimensão (os "lexias"), ligados entre
si. Um sistema visual que permitisse aos utilizadores identificarem a sua localização no
espaço de informação (o "sistema de navegação"). Um sistema que permitisse
aos utilizadores identificarem todas as referências de uma dada palavra, uma dada frase
ou um dado conceito (os "sistemas de pesquisa", de texto ou conceptuais). Uma
forma de produzir e pesquisar informação já muito perto da forma como o ser humano
pensa. (E um passo mais até à Matrix?).
Os projectos de
investigação mais fascinantes na evolução dos conceitos ligados aos hipertexto foram
provavelmente os desenvolvidos pelo Scholarly
Technology Group da Universidade de Brown: Hypertext at Brown.
Esta actividade
académica não caiu em saco roto. No princípio dos anos noventa, quando a Microsoft
lançou o Windows 3.1, o sistema de documentação online de apoio
às aplicações Windows era uma aplicação prática dos conceitos de hipertexto; e
mais ou menos na mesma altura, um "computer scientist" britânico, inventava uma "coisa" que se viria a chamar "World Wide
Web".
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