Internet
Time
Em Abril de 1994, Clark
e Andreessen criaram uma empresa chamada "Mosaic Communications", para
desenvolver um browser com objectivos comerciais. O nome da empresa viria a ser alterado
para "Netscape Communications", por motivos legais (o nome "Mosaic"
pertencia à alma mater de Andreessen).
Antes do fim de 1994, a
Netscape lançaria a primeira versão do seu browser, com outra a sair no ano seguinte. Ao
mesmo tempo, o uso da Internet estava a crescer de uma forma exponencialmente, de uma
forma nunca vista.
Em Agosto de 1995,
durante a mesma altura que a Microsoft lançava com pompa e cirscunstância o Windows 95,
a Nestcape, uma empresa que ainda não havia vendido nada e que tinha entretanto torrado
dezenas de milhões de dólares em desenvolvimento de um produto que seria distribuido
gratuitamente foi lançada em bolsa. A sua Oferta Pública de Aquisição Inicial (IPO -
Initial Public Offering) foi, na altura, a mais sucedida de sempre. Um sucesso semelhante,
mas relativamente inferior, havia sido conseguido anos antes, pela Microsoft, uma empresa
que já existia, por altura da sua IPO, há varios anos e que gozava, em termos práticos,
de um virtual monopólio sobre o sistema operativo dos computadores pessoais. O sucesso da
IPO da Netscape, associado à arrogância (compreensível, diga-se) dos seus líderes
quanto a serem a Microsoft do futuro, fez soar todos os alarmes
no chamado "One Microsoft Way" (por via da morada), o edifício sede da
Microsoft em Redmond, no Estado de Washington.
A aposta que os
investidores fizeram na Netscape, nesse Verão já distante, e o sucesso continuado do uso
dos browsers e da Internet pelas empresas e pessoas, deram início ao que nos Estados
Unidos se chama hoje a "New Economy" -- a "Nova Economia", onde as
velhas regras dos compêndios da ciência de Adam Smith,
John Maynard Keynes ou John Kenneth Galbraith,
já passaram à história. A "Nova Economia" norte-americana é marcada pelo
crescimento extraordinário do recurso às Novas Tecnologias de Informação e à
Internet, por um número cada vez maior de empresas e pessoas individuais no mundo
inteiro; por aumentos de produtividade que permitem que níveis muito baixos de desemprego
coexistam com salários crescentes, sem grandes pressões inflacionárias; e por
valorizações estratosféricas na Bolsa de empresas que se dediquem a negócios através
da Internet e estejam a marcar o território com a criação de marcas universalmente
reconhecidas, mesmo que não tenham lucros (o exemplo supremo é o da Amazon.com).
Uma pequena zona dos
Estados Unidos, perto de São Francisco, concentra hoje o maior número de empresas de
alta tecnologia de sucesso do mundo -- chama-se, informalmente, Silicon Valley.
As empresas aqui crescem e desenvolvem-se em poucas semanas; produzem um número
totalmente disparatado de milionários, a começar nas recepcionistas; e nelas, são
normais horários de trabalho de 16 horas ou mais por dia, todos os dias. É uma realidade
muito diferente da que vivemos em Portugal, mas quando se fala em globalização, o que
isso quer dizer é que as economias com a europeia estão em luta contra isto.
Para aprofundar este
assunto, aconselhamos a leitura do livro de Jim Clark sobre a criação da Nestcape e as
batalhas da sua empresa com a Microsoft:
Netscape Time (no mínimo, consulte o capítulo disponível em linha); ou do livro mais recente de Po Bronson
sobre a vida, o sucesso e a derrota em Silicon Valley:
The Nudist on the Late Shift: And Other Tales of Silicon Valley
(no mínimo, leia a entrevista com o autor; citação: "The era of the entrepreneurial
mind has just begun. To watch the American Dream happen before my very eyes has forever
changed me. To watch young immigrants come here, and to watch them overcome challenges and
succeed in just a couple years, has taken the edge off my cynicism. It has forced me to
confront my presumptions about class and social mobility." ).
Po Bronson é autor de dois textos
notáveis sobre empresas de Silicon Valley. Um, definitivamente destinado a tornar-se um
clássico, é a extraordinária história da criação da empresa Epinions.com (em
princípio, para aceder a este artigo, terá de se registar como utilizador do New York
Times Magazine). O outro é uma adaptação do livro, intitulada Gen Equity,
publicada na Wired.
Estes textos documentam a mudança
extraordinária que se está a processar e revelam o preço que a Europa terá de pagar
para conseguir acompanhar os Estados Unidos nesta corrida para o futuro.
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