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Plataformas de Desenvolvimento de Sistemas Hipermédia


SGML - Standard Generalized Markup Language

Começamos por um aviso: este tema é extremamente abstracto e díficil tanto de explicar como de entender. Tentamos uma explicação aqui porque pensamos que pode ser relevante para enquadrar a invenção da World Wide Web e perceber um pouco melhor a sua evolução previsível.

Os navios da marinha de guerra podem carregar entre 10 a 40 toneladas de manuais e papéis. Dez toneladas de manuais técnicos parece um pouco pesado, não é verdade? Pensemos na construção de uma coisa complicada, como um avião. A criação do B2 implicou a redacção de cerca de um milhão de páginas de manuais...

Numa sociedade em ritmo acelerado e com produtos e sistemas cada vez mais sofisticados e complicados, havia que arranjar formas novas para abordar a questão absolutamente incontornável da documentação técnica subjacente, de modo a tornar o processo menos prene a erros, mais eficiente e mais seguro. O SGML ("Linguagem Normalizada e Geral para Etiquetagem") foi o ovo de Colombo da documentação técnica, sobretudo dos casos em que já se sabe à partida que a documentação a produzir vai ser em quantidades massivas, mas ainda não se sabe bem nem qual o resultado final, nem em que formato final vai ser distribuida (em "livro", em relatórios separados, em vídeo, em CD-ROM, como cassete audio, como uma combinação destas possibilidades...).

O SGML é um processo que começou com a desconstrução do texto, de qualquer texto, mas sobretudo de textos de carácter técnico. Os seus criadores decidiram que um documento pode ser "desconstruído" (desmontado, repartido, analisado) em 3 vertentes: estrutura, estilo e conteúdo. "Estrutura" tem a ver com os capítulos, as secções, as sub-secções, os títulos, os parágrafos, etc. (género: "isto aqui é um título", "este pedaço de texto, entre esta linha aqui e esta linha ali, é um capítulo", "isto é um índice", etc.). Esta estrutura é "traduzida" para o leitor através de uma dada abordagem visual, respeitando determinadas convenções que asseguram a coerência da experiência de consulta (este é o campo dos designer gráficos: usar certas cores nos títulos dos capítulos, usar determinados tipos de letras, usar determinadas formatações para os cabeçalhos e rodapés): o "estilo". E finalmente, estrutura e estilo devem, em princípio, servir um conteúdo. Em função do tipo de conteúdo devem ser definidas, primeiro a "estrutura" a adoptar e depois, as questões de "estilo" (embora seja difícil explicar aos designer gráficos esta ordem das coisas...)

Em termos de SGML, começa-se por descrever a estrutura a adoptar para um dado tipo de conteúdos. Esta "descrição" é um documento altamente técnico e abstracto, redigido de acordo com normas muito estritas, e tem um nome genérico: Definição do Tipo de Documento (ou, no original, Document Type Definition), ou DTD. O DTD descreve todos os elementos estruturais do documento e ignora completamente as questões de estilo, que pertencem a outro tipo de preocupação (N.B.: a respectiva definição de "estilo" a adoptar será objecto de outro documento, de descrição de estilos: a "folha de estilos" ou, no original "stylesheet" -- esta é uma temática paralela que não vai ser sequer enquadrada aqui). A cada elemento estrutural que é identificado corresponde uma "etiqueta". Estas etiquetas deverão ser embebidas no corpo do documento a criar.

Assim, por exemplo, a um qualquer parágrafo de texto corrido corresponde forçosamente uma etiqueta, que o identifica como tal (como texto de um parágrafo). O autor de um qualquer documento a ser criado de acordo com as normas SGML, no quadro de um DTD determinado, quando o estiver a redigir, terá de identificar cada parágrafo de texto corrido como tal, etiquetando-o adequadamente (e cada título, e cada número de página, e cada lista, etc.). Normalmente, estas etiquetas marcam o princípio e o fim de cada bloco de texto. Digamos que a etiqueta definida no DTD para um parágrafo de texto corrido é a letra "P". De acordo com as especificações SGML, este texto deve ser etiquetado com um <P> no princípio do texto do parágrafo e com um </P> no fim (os "<" e ">" são obrigatórios; o "/" marca o fim). O autor do texto, quando o estiver efectivamente a escrever, deve etiquetar adequadamente todas as peças do seu texto. Todas as peças do seu texto têm de ter uma etiqueta "estrutural".

E, pergunta-se, é este insano trabalho adicional que vai permitir maior produtividade?

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