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Plataformas de Desenvolvimento de Sistemas Hipermédia


Vantagens do Uso do SGML

Para tornar prática a aplicação das regras do SGML é normalmente necessário o desenvolvimento de uma aplicação informática específica (ou a adaptação específica de uma aplicação informática mais genérica) para a redacção dos textos, sobretudo quando os DTD são particularmente complexos.
            Este passo completo, o processo de criação de textos torna-se muito mais linear. Os autores estão completamente abstraídos do formato final em que será implementada a documentação que estão a produzir, preocupando-se exclusivamente com questões de organização, estrutura e qualidade dos conteúdos.

O simples facto de não terem de se (aliás, de não se poderem) preocupar com a forma, significa imediatamente um ganho de 50 a 100% na produtividade dos autores. Mas as vantagens inerentes são muito superiores a este simples facto.

É que a questão do formato final da documentação a ser produzida passou a ser uma preocupação secundária. Arrumada num disco de computador e totalmente etiquetada, pode ser usada como se quiser. Desde que se desenvolva outro programa de computador (ou mais!) com capacidade de interpretar as etiquetas com que o texto está dotado e o apresentar da forma adequada (esta abordagem foi originalmente concebida para a produção de documentação técnica muito complexa, muito demorada, muito longa, muito pesada, muito sofisticada...). Este último programa concretizará uma especificação de output (para impressão, por exemplo), que produzirá a formatação dos documentos, para impressão ou o que for, de uma forma totalmente automática. Para um conjunto de livros, por exemplo. Continuando no reino dos exemplos, certos documentos, desde que tenham determinadas etiquetas, poderão ser disponibilizados em folhas soltas. Não é relevante. O que é relevante é que a informação, por estar totalmente estruturada e totalmente etiquetada, está guardada de modo a poder ser usada das maneiras mais desvairadas e imprevisíveis. Os donos da informação adquirem sobre ela um controlo e um poder como nunca haviam tido antes. A informação fica armazenada de uma forma potencialmente mais útil, pode ser reutilizada para novos suportes, e pode ser manipulada à vontade.

[Os nomes técnicos para as especificações de output são OS ("Output Specification"), FOSI ("Formatting Output Specification Instance") e DSSSL ("Document Style Semantics and Specification Language").]

Tim Berners-Lee conhecia e respeitava os princípios na base do SGML, aliás um dos factores curriculares que lhe garantiram o lugar no CERN. A criação do HTML por Berners-Lee correspondeu de certo modo à concepção de uma espécie de DTD para documentos que teriam características de hipertextualidade -- a etiqueta fundamental permitiria a ligação entre documentos. Daí o nome do HTML (HyperText Markup Language, uma variação do nome SGML). No entanto, embora no princípio as poucas etiquetas originais da "linguagem" só cobrissem de facto pormenores de estrutura, o HTML, quando caiu na rua (ie, nas mãos da Netscape e Microsoft) foi totalmente desvirtuado com etiquetas correspondentes a questões de estilo. Hoje, com o surgimento das Cascading Style Sheets, pretende-se tornar a pôr ordem na selva.

Uma última nota: o futuro da Web passará por uma redefinição do HTML. Ao invés de um único DTD básico, que é o que existe agora, está a ser desenvolvido um standard que permitirá a criação de diferentes DTD, para aplicações específicas. Cada um destes novos DTD exigirá um browser específico ou um browser adequadamente preparado. Haverá DTDs para jornais, para sites de turismo, para lojas electrónicas, etc. Uma vantagem imediata: uma muito maior acuracidade no resultado das pesquisas. O standard em desenvolvimento que assegurará o próximo passo da evolução da Web (em princípio; da maneira com as coisas são, nunca se sabe) chama-se XML: "eXtensible Markup Language". É uma espécie de SGML específico para a Web. Os princípios, pelo menos, são basicamente os mesmos.

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