A World
Wide Web
Em 1989, Timothy Berners-Lee, um
"computer scientist" britânico arranjou uma colocação no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, em Berna, na Suiça,
onde aplicou os seus conhecimentos sobre documentação electrónica e sobre a existência
de uma rede global de computadores chamada Internet, então muito popular entre cientistas
e académicos de todo o mundo, na solução de um problema que já se arrastava: como
garantir de uma forma eficiente a troca de informações (públicas) sobre física nuclear
entre os cientistas, de modo a permitir avançar mais rapidamente o state-of-the-art e se
perder menos tempo com pesquisas?
Basicamente, as formas
de publicar e transmitir informações públicas e textos académicos entre os físicos
nucleares eram pouco práticas e demasiado demoradas. Era necessário arranjar uma forma
melhor de publicar e acompanhar o trabalho que se estava a fazer, a nível internacional,
mas parecia não haver nenhuma forma eficiente de o conseguir.
Era o mesmo problema do
tempo de Vannevar Bush, mas Berners-Lee tinha sobre ele a vantagem de poder contar com
mais de 40 anos de pesquisas e estudos sobre os conceitos então avançados pelo
americano, e a existência de uma rede global de computadores que poderia eventualmente
ser utilizada para o efeito.
Berners-Lee teve uma
daquelas raras inspirações que mudam o mundo. Na Internet, ele tinha assegurado a
possibilidade, totalmente inovadora, de acesso permanente e global. Achou que era uma via
a explorar definitivamente. Para que a informação pudesse estar sempre sobre o controlo
dos que a publicassem (e pudesse ser revista a qualquer momento, se se revelasse
necessário), ela teria de ser disponibilizada em ficheiros que permaneceriam num
computador sobre o controlo dos seus autores. Havia soluções na Internet para carregar ficheiros de um servidor, graças a um protocolo chamado FTP,
mas a simples transferência de ficheiros era muito menos do que se queria. Era
necessário arranjar uma maneira de a informação estar disponível de uma forma
inteligível, intuitiva e fácil.
Não
se pretendia um sistema que se limitasse a disponibilizar ficheiros de um processador de
texto num determinado directório. A tecnologia para isto já existia, mas não respondia
à necessidade de existência de um processo seguro de manter os leitores informados sobre
actualizações, e não havia um processo prático de informar sobre actualizações.
O que era preciso era
um sistema onde as actualizações fossem incorporadas de uma forma automática,
permanente e transparente. Para tanto, seria necessário disponibilizar a informação,
devidamente estruturada e mesmo formatada, em ficheiros de formato especial, de modo a
serem carregados e "interpretados" visualmente por um programa a ser criado. Com
esta abordagem, tornar-se-ia necessário adoptar todos os relatórios existentes a um novo
formato, que incluiria a introdução de caracteres específicos de controlo -- isto
poderia ser um risco, dado o trabalho adicional exigível, mas valia a pena corrê-lo,
porque o resultado final tinha potencial para ser inovador, excitante e prático (além
disso, talvez fosse possível a criação de conversores automáticos). Cada texto
corresponderia a um ficheiro, que seria identificado pela sua extensão. Eventualmente,
haveria de se arranjar uma maneira de incluir imagens e uma forma de as mostrar. Cada
ficheiro teria uma identificação única.
Era evidente que o
texto destes ficheiros não poderia ser simplesmente texto corrido. No mínimo, seria
preciso uma notação especial para as referências entre os diversos ficheiros de texto
que tratassem um dado assunto (de modo que quando um dado documento fosse complementado
por outro, este poder ser referenciado no corpo do primeiro, de modo a que o leitor o
pudesse também consultar). Mas, para além desta necessidade, o texto tinha de incluir
algumas características básicas de estruturação e organização: títulos, listas,
espaços. A única forma de incluir estas características era especificá-las de alguma
forma e na verdade já estava disponível desde 1986, uma abordagem standard para este
problema (o SGML), pelo que Berners-Lee decidiu que não valia a
pena reinventar a roda e encarou a sua tarefa como uma aplicação específica desse
standard.
Ao fim de algum tempo,
a World Wide Web estava criada e baptizada. E depois, chegaram os
americanos...
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