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Plataformas de Desenvolvimento de Sistemas Hipermédia


Um estudante universitário...

Para concretizar a sua "visão" de uma World Wide Web, Tim Berners-Lee inventou um protocolo de comunicações sobre a Internet (o HTTP - consultar o Glossário para explicações), uma especificação de documentação electrónica com possibilidade de ligações hipertextuais (o HTML), um "servidor" de informação (aplicação informática destinada, neste caso, a "servir" a outros programas de computador, a informação que lhe fosse solicitada, desde que essa solicitação obedecesse a determinados parâmetros), que poderia ser instalado em computadores ligados à Internet e um "cliente" (uma aplicação informática com capacidade de aceder a um servidor, carregar os ficheiros aí residentes e mostrá-los a um utilizador; os clientes deste tipo de informação tomaram o nome de "browser" - "folheador", numa tradução literal). Como qualquer obra pioneira (e ainda por cima, produzida em meio de investigação científica), o resultado final era "tosco". Funcionava, provava os conceitos subjacentes, mas precisava de mais trabalho. Nomeadamente, os browsers iniciais não estavam preparados para mostrar imagens no próprio corpo dos documentos (era preciso uma aplicação à parte, o que era pouco prático).
         Por motivos que têm a ver com a forma como a Internet funcionava (e em parte, pelo menos, ainda funciona) em termos éticos, todas as especificações relativas ao funcionamento da World Wide Web foram publicadas na Internet. Quem, por algum motivo, quisesse fazer o seu próprio browser ou o seu próprio servidor, só tinha de ler as respectivas especificações e seguir algumas normas muito liberais.

Esta nova possibilidade de publicação de documentos electrónicos na Internet, criada por Berners-Lee foi um sucesso imediato... junto dos físicos nucleares de todo o mundo. O resto do povo basicamente ignorou-o. Excepto, no fim de 1993, princípios de 1994, um estudante universitário americano a estagiar no Centro de Super-Computação de uma Universidade de Chicago. Chamava-se Marc Andreessen, não tinha grande coisa para fazer, tinha tempo para explorar novos conceitos e achou que o projecto de fazer um browser melhor do que aquele que estava disponível podia ser interessante.
         Em 1994, o mundo começou a viver em "Internet time", ou seja, a um ritmo de evolução tecnológica avassaladora. Este jovem de 21 anos foi, sem o saber, o principal responsável.

NCSA MosaicEntre Outubro de 1993 e o fim do primeiro trimestre de 1994, a equipa de jovens coordenada por Marc Andreessen desenvolveu duas versões de um novo browser, a que deram o nome de Mosaic e que já permitia, de um modo incipiente, a inserção de imagens junto de texto, no corpo do ecrã apresentado pelo browser. A primeira versão do browser foi desenvolvida para Unix, mas a segunda funcionava em Windows 3.1. Mais tarde foi desenvolvida uma versão para o Macintosh, da Apple. Ora, em 1994, já se falava bastante da Internet e das suas possibilidades de correio electrónico e de transferência de ficheiros. Também já se conheciam as vantagens da publicação electrónica. O Mosaic, com o seu interface "sexy", a possibilidade de mostrar imagens e a sua disponibilidade para Windows foi o produto certo no momento certo. E o uso da Internet começou finalmente a explodir, de um modo totalmente inesperado (na altura, pensava-se que a "autoestrada da informação apareceria de outro modo -- nunca através da Internet).

Em Abril de 1994, James Clark, o lendário fundador da Silicon Graphics, uma empresa que produz computadores extremamente poderosos, tinha decido abandonar esse projecto e começar algo de novo. A Internet, aquela coisa de que toda a gente começava a falar, pareceu-lhe uma possibilidade interessante de investir alguns dos seus milhões de dólares. Depois de algumas conversas com Marc Andreessen, decidiu apostar no novo conceito.

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