Indicar o caminho...
Apesar do hábito
totalmente idiota, mas completamente consagrado, de se chamar "página" a isto
que está a ler, há uma procissão de diferenças entre a leitura de um livro em papel e
de um sistema de documentos disponível em formato electrónico.
A diferença mais
radical para os não iniciados, é provavelmente a questão "do peso e da
medida". Um "livro" é uma coisa física: pode-se agarrar, pode-se avaliar
o peso, pode-se tirar a medida, pode-se pôr na prateleira, pode-se cheirar, pode-se
adoptar, pode-se pedir ao autor que o autografe, pode-se, enfim, amar (sim, para o caso de
estar a estranhar a argumentação, esclareço que fui mesmo eu quem escreveu noutro
sítio que os "livros" estão nas
últimas...). Mas esta coisa que está a consultar marca-se de uma forma bem
diferente, ainda não foi inventado um processo prático de ser anotada, não se pode
agarrar, não se lhe pode tirar nem peso nem medida. Portanto, potencialmente, trata-se de
uma realidade bem mais confusa e complicada.
E no entanto, obviamente, não tem
de o ser, muito pelo contrário...
Para não o ser, os
três factores mais importantes num sistema de documentação electrónica, sobretudo um
que esteja alojado na World Wide Web, são um aspecto visual coerente, a colocação
judiciosa de elementos de navegação funcionais e a estratégia de criação e uso de
ligações hipertextuais.
Um documento que seja
permanentemente caracterizado por uma forte identidade visual -- o que se consegue
normalmente com o recurso aos talentos de um designer gráfico -- é
facilmente distinguido pelos que o acedem, dos outros que povoam a Web. Desde que essa
identidade visual seja forte e coerente, o utilizador terá pelo menos a segurança de
saber que ainda está por onde quer estar.
A questão da abordagem gráfica de
qualidade levanta normalmente o problema da personalidade, normalmente complicada, dos
"artistas" que se têm de contratar (e que por norma, não gostam nada de serem
chamados de artistas, embora a alma lhes penda para esse lado...). O segundo aspecto,
embora ainda mais importante que a do design gráfico, pode ser conseguido sem
outsourcing: a colocação cuidada de elementos
de navegação, visuais ou escritos.
Por último lugar, e inquestionavelmente mais
importante, é a forma como se pensa e implementa a lógica das ligações. Não se
deve ligar de qualquer modo. Há que inferir um critério e o aplicar rigorosamente. Os
links são um dos elementos mais fundamentais na autoria e "personalidade" de um
bom web site.
Os três factores
mencionados ajudam o utilizador a identificar o universo onde navegam e a trilhar caminhos
nesse universo. Não haja dúvidas, são por ordem crescente de importância, os factores
absolutamente incontornáveis para o sucesso de qualquer web site. Mas não respondem a
uma questão que se torna fundamental em sites de média e grande dimensão: como
chegar rapidamente à informação desejada, sem se ter de navegar por toda a estrutura de
um sistema de documentação eelctrónica?
A possibilidade de se
poder identificar a localização de um assunto quase automaticamente é um dos aspectos
em que a documentação electrónica é infinitamente superior à documentação em papel.
Há duas formas de concretizar esta potencialidade. Uma das formas funciona, a outra,
embora importante, nem por isso. O processo que funciona
implica muito trabalho humano, profundo estudo de novos conceitos e o uso e aplicação
aturados daquelas célulazinhas de que Poirot está
sempre a falar. É raríssimo vê-lo implementado na Web, para vergonha da maior parte d
os que se dedicam a esta nova profissão. O processo que "não
funciona", pelos motivos explicados no lexia de ligação, é usado com bastante
frequência, basicamente porque não dá trabalho aos autores destes sistemas.
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