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Sobre a Internet, WAP



Interface do Ericsson MC218, um dos primeiros computadores palmtops concebidos para utilizar a tecnologia WAP

Aqui há uns meses, podia-se ler no sítio do N.B.: ligação a outro web site WAP Fórum uma notícia sobre a abertura de um portal móvel na China. A N.B.: ligação a outro web site Cable & Wireless HKT Mobile Services, uma empresa de telecomunicações de capitais britânicos, sediada em Hong Kong, decidiu adoptar o protocolo WAP para o seu portal de serviços, conhecido por i.Menu. Consegue assim tornar-se num dos primeiros “mobile portal”, ou portal móvel, um novo conceito a que pode começar a habituar-se, pois será o passo seguinte no que diz respeito a telemóveis e Internet. Já no princípio de Novembro, durante a feira internacional de telecomunicações Telecom'99 - Inter@ctive'99, a Cidade de Genebra, Suiça, tinha apresentado o serviço Geneva-nOw, uma agenda cultural interactiva com os eventos da cidade acessível por telemóvel e baseado no protocolo WAP. Este acrónimo, WAP, de tanto aparecer, tem de ser melhor explicado.

o Nokia 7110, que vem preparado para o acesso directo a conteúdos na Internet, através do protocolo WAPComecemos pelos telemóveis, esses pequenos aparelhos, que quase não saímos de casa sem os levar. Falar e andar ao mesmo tempo era coisa impensável há poucos anos atrás. Ainda me lembro, pequenino em casa do meu pai, quando ele falava ao telefone, e arrastava o fio de dez ou quinze metros, de um lado para o outro transportando o telefone preto pela casa toda. Nesses tempos dizia-se: “está lá?” enquanto agora dizemos: “onde estás?”. Há uma grande diferença entre estas duas filosofias de vida: estamos na era da mobilidade. Os telemóveis, que eram do tamanho de um tijolo, diminuiram até caberem num bolso, ao mesmo tempo que aumentavam de potência e autonomia. Conduzir e falar ao telefone popularizou-se tanto que passou a ser proibido. Rapidamente passámos das mensagens de voz gravadas para serviços de mensagens curtas (SMS), através das quais podemos utilizar serviços como o TeleMultibanco ou serviços de informação de meteorologia ou resultados desportivos.
       E a evolução continua: de simples receptores de informação escrita, com alguma capacidade de resposta através de pequenas mensagens, passou-se para a navegação na Web com microbrowsers. Mas o problema é que a informação na WWW está estruturada para HTML; para se navegar com browsers que interpretam texto e imagem, por vezes carregados ainda de aplicações e animações. Nestas condições, navegar na Internet com um telemóvel é lento, caro e muita informação é mesmo ilegível. Para a interactividade se instalar verdadeiramente nos nossos pequenos aparelhos, era preciso um novo protocolo que permitisse aumentar a velocidade de acesso à informação. E esse protocolo é o Wireless Application Protocol – o WAP, que abriu o caminho para páginas organizadas em WML (Wireless Markup Language), ou seja uma versão da informação estruturada de modo diferente e que tem como consequência um aumento de velocidade que traz de facto a independência aos telemóveis. 
Desenvolvido inicialmente por quatro empresas : N.B.: ligação a outro web site Ericsson,         N.B.: ligação a outro web site Motorola, N.B.: ligação a outro web site Nokia e Unwired Planet (que entretanto mudou de nome para N.B.: ligação a outro web site Phone.com), este protocolo tornou-se um standard e é hoje utilizado de forma geral.
       Através da utilização do protocolo WAP, os utilizadores que tenham equipamentos que suportem esta tecnologia podem aceder à Internet, mas apenas a páginas especificamente escritas para serem lidas em telemóveis, ou seja, páginas em formato WML.
A conversão do HTML para WML é necessária devido às características específicas do GSM (Global System for Mobile Communications), ou rede celular, que implicam uma velocidade máxima de 9.600 Kbps (kilobits por segundo), e dos próprios telemóveis, que têm ecrãs pequenos e capacidade limitada de exibir imagens.

Esta figura demonstra a interligação da tecnologia WAP à rede GSM. O pedido da página a visualizar é enviado pelo telemóvel para a rede do operador, onde é tratado e enviado ao ISP, fazendo depois a informação o caminho inverso.

As limitações do GSM têm, porém, os dias contados, com os vários operadores de telemóveis portugueses a preverem a adopção da norma GPRS (General Packet Radio Service) ainda este ano. O GPRS permite uma utilização da rede celular com uma filosofia diferente que garante uma maior velocidade de transmissão de dados, entre 56 e 114 Kbps, e uma ligação contínua do utilizador à Internet.
       A verdadeira evolução do GSM surgirá com o UMTS (Universal Mobile Telecommunications System), a norma de terceira geração que permite comunicações de banda-larga de velocidades na ordem dos 2 Mbits por segundo e alarga as possibilidades de fornecimento de serviços móveis.

       Gerir as nossas mensagens de correio electrónico, poder realizar compras e adquirir bilhetes de espectáculos, ou ainda, aceder ao nosso banco e realizar operações financeiras... alguns exemplos do que se pode fazer com os telefones “WAPáveis”. A Telecel introduziu o primeiro serviço experimental desta tecnologia em Portugal. O motor de pesquisa e indexador da Web em português N.B.: ligação a outro web site Cusco, anunciou logo de seguida uma versão do seu serviço neste formato.
       Actualmente, os principais fabricantes de telemóveis vendem modelos que suportam este protocolo e os operadores portugueses de telecomunicações móveis (a N.B.: ligação a outro web site Telecel, a N.B.: ligação a outro web site TMN e a N.B.: ligação a outro web site Optimus) já disponibilizaram o serviço WAP. Outras entidades portuguesas disponibilizarão conteúdos no formato adequado (embora o mercado ainda vá ser particularmente reduzido no futuro próximo) e há já alguns conteúdos internacionais relevantes, sobretudo de notícias. A corrida para o acesso à informação através dos telemóveis está apenas a começar. Projectos como o Portal Móvel de Hong Kong, referido em cima, e agendas culturais como o caso suíço, serão abertos às centenas e Portugal não terá de esperar muito tempo para estar “WAPável”.

Para saber mais... Um dos primeiros serviços europeus especializado para dar acesso a partir de telemóveis, é o da empresa sueca N.B.: ligação a outro web site Palm Reach AB, que mantém um portal móvel e inclui ou incluirá funções como mensagens personalizadas, notícias, e-mail e fax. Os utilizadores podem inclusivamente fazer um download de um programa de testes que emula o serviço WAP para os telefones da N.B.: ligação a outro web site Nokia e N.B.: ligação a outro web site Ericsson. Para além do N.B.: ligação a outro web site WAP Fórum, já referido acima, o tema da Internet e das telecomunicações móveis pode ainda ser aprofundado, entre muitos outros, nos sítios do N.B.: ligação a outro web site PortalWAP, “el primer portal español concebido para teléfonos móviles”; ou no assinalável N.B.: ligação a outro web site African Cellular, um sítio sul-africano sobre tudo o que é GSM.

aplicação via Internet para utilizar o Palm VII na localização de ATMs (Estados Unidos)A maior parte dos telemóveis que permitem aceder aos conteúdos WML têm ecrãs muito diminutos, o que na verdade lhes limita bastante a funcionalidade no acesso a informações (uma análise, aliás muito céptica, sobre o potencial do WAP, apresentado como sendo uma Wrong Approach to Portability pode ser lida N.B.: ligação a outro web site aqui). A tendência será para um novo tipo de telemóveis, com ecrãs maiores e “arrumados” de modo diferente, ou a incorporação de comunicação móvel de voz em “agendas” de bolsa informáticas (os chamados “palm computers”, do tipo do N.B.: ligação a outro web site Palm VII, na ilustração, sendo inevitável a convergência entre estas duas abordagens.

 
 
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